A Marta acordou às 6h30 com o telemóvel a vibrar em cima da mesa de cabeceira. Não era o despertador — era uma notificação do Instagram. O Reels que tinha postado ontem à noite, o Thor a “ajudar” a fazer ioga matinal (traduzido: a deitar-se em cima do tapete e a rosnar baixinho sempre que ela tentava levantar a perna), tinha ultrapassado as 50 mil visualizações.
Vinte e dois anos, a viver em Lisboa há três, e ainda se surpreende com a velocidade das coisas. A formação em engenharia marítima ficou guardada numa gaveta algures entre Tripoli e o aeroporto de Lisboa. O mar ensinou-a a ler correntes invisíveis, a antecipar tempestades antes de elas rebentarem. O algoritmo não é tão diferente: correntes de atenção, marés de engagement, tempestades de viralidade que chegam sem aviso.
O problema não é a atenção. O problema é o que vem depois.
A barreira invisível
Sentou-se na varanda com o café, o Thor a ronronar no colo, e abriu o separador que tinha deixado aberto há semanas: a página de registo do OnlyFans. O cursor piscava no campo “cartão de crédito”.
Não tem cartão de crédito português. O banco em Tripoli congelou a conta quando saiu. O N26 pediu comprovativo de morada que não tinha nos primeiros meses. O Revolut funciona para receber, mas para pagar subscrições recorrentes em plataformas adultas… as rejeições são frequentes, silenciosas, frustrantes.
Não é só ela. Conhece três criadoras em Lisboa na mesma situação. Uma usa o cartão do namorado e odeia a dependência. Outra compra cartões pré-pagos no Continente e perde 3€ por transação. A terceira desistiu e foi para o Patreon — onde a descoberta orgânica é quase inexistente.
A ironia não lhe escapa: uma plataforma construída para monetizar intimidade e exclusividade, mas que exige um instrumento financeiro que exclui precisamente quem mais precisa de autonomia financeira.
O que descobriu nos fóruns (e o que ninguém diz alto)
Passou noites a ler Reddit, fóruns de criadores em português, Discords privados. A informação está lá, fragmentada, contraditória, às vezes perigosa.
Cartões pré-pagos portugueses: Funcionam, mas com ressalvas. O OnlyFans rejeita a maioria dos cartões Visa/Mastercard pré-pagos emitidos em Portugal para pagamentos recorrentes. Os que passam (alguns do Banco CTT, certos cartões pré-pagos do Millennium) param de funcionar após 2-3 ciclos de faturação. A plataforma atualiza filtros antifraude constantemente.
Cartões virtuais internacionais: Wise, Revolut (cartão virtual), Skrill Net+ — funcionam melhor, mas exigem verificação de identidade completa e morada comprovada. Se estás em Portugal há menos de seis meses sem contrato de arrendamento em teu nome, vais travar aqui.
Criptomoedas: O OnlyFans não aceita diretamente. Serviços intermediários como BitPay ou Coinbase Card funcionam, mas as taxas somam 4-6% acima da comissão de 20% da plataforma. Para quem está a começar, cada euro conta.
Transferência bancária / Débito direto: Não disponível para criadores em Portugal. Apenas para alguns países (EUA, UK, Austrália, Canadá) e mesmo assim só após volume de faturação significativo.
A solução que ninguém recomenda oficialmente: Ter um “gestor de pagamentos” de confiança — alguém com cartão de crédito válido que paga a subscrição da plataforma por ti e tu reembolsas por MBWay. Arriscado. Quebra os Termos de Serviço. Se a plataforma deteta padrão de pagamentos de cartões diferentes para a mesma conta, bloqueia tudo.
Marta anotou tudo num caderno encadernado que leva para todo o lado. Engenheira marítima: habitou-se a registar variáveis, correntes, marés. O algoritmo é apenas outro oceano.
O momento em que a estratégia muda
Foi num almoço com a Inês, fotógrafa de pets que conheceu num meetup de criadores em Alcântara, que a conversa virou.
— Já pensaste no Passes? — perguntou a Inês, a mexer no azeite do prato. — Não é OnlyFans. É SFW. Dez por cento de comissão. Pagam por transferência bancária direta para IBAN português. Sem cartão de crédito.
Marta abanou a cabeça. — O meu público quer o Thor. Conteúdo de lifestyle animal. Não é “conteúdo adulto”.
— Exatamente. O Passes é para isso. Fitness, finanças, música, gaming, lifestyle. O modelo de subscrição é igual: mensalidades, tips, pay-per-view, mensagens privadas. A diferença é que não estás num gueto algorítmico.
A palavra “gueto” ficou a ecoar. Marta sabe como funcionam as correntes: se entras num canal estreito, a maré leva-te para onde ela quer, não para onde tu queres.
Foi para casa e abriu o Passes.com. Registo em três minutos. IBAN português. Zero cartão de crédito. A dashboard mostrava: “Criadores de lifestyle animal: +340% crescimento nos últimos 6 meses”.
Não foi uma epifania. Foi uma leitura de instrumentos: vento a favor, maré a encher, rota clara.
A realidade nua dos números
Vamos ser honestos. O OnlyFans tem 300 milhões de utilizadores registados. O Passes não divulga números, mas estima-se em baixa sete dígitos. A descoberta orgânica no OnlyFans é real — o algoritmo recomenda contas baseadas em engagement, não só em seguir. No Passes, tens de trazer o teu próprio tráfego.
Mas a conta fecha-se de forma diferente.
Cenário A — OnlyFans (conteúdo SFW, pet lifestyle):
- Subscrição: 10€/mês
- Comissão plataforma: 20% (2€)
- Taxa processamento cartão: ~1.5% + 0.25€ (0.40€)
- Chargebacks/fraude: ~2% receita (0.20€)
- Líquido por subscritor: 7.40€
Cenário B — Passes (mesmo conteúdo, mesma audiência):
- Subscrição: 10€/mês
- Comissão plataforma: 10% (1€)
- Taxa processamento (transferência SEPA): ~0.25€
- Chargebacks: praticamente zero (transferência bancária)
- Líquido por subscritor: 8.75€
Diferença: 1.35€ por subscritor/mês. Em 1000 subscritores: 1350€/mês a mais. Em 5000: 6750€/mês.
A Marta fez as contas no caderno. O Thor miou, impaciente pelo jantar.
Mas há um “mas” — e este é grande. O OnlyFans tem descoberta interna. Pessoas que nunca te viram no Instagram encontram-te lá. No Passes, és tu que trazes toda a gente.
A pergunta não é “qual plataforma paga mais por subscritor”. A pergunta é: “Consigo crescer mais rápido no OnlyFans a ponto de compensar a diferença de 18% no líquido?”
Para a Marta, com 50k seguidores no Instagram (80% Portugal/Brasil, 15% EUA/UK, 5% resto), a resposta inclinava-se para “não”. O seu crescimento vem do Instagram e TikTok. Leva-os para onde quiser.
A armadilha da identidade (e como a Marta a evitou)
Lembra-se da notícia da professora do Missouri, a Sheena Sittner. Demitida em setembro por ter OnlyFans. Conteúdo adulto, descobriram os administradores da escola. A notícia saiu no Toronto Sun a 29 de setembro.
Marta não faz conteúdo adulto. Mas a percepção da plataforma importa. Quando dizes “sou criadora no OnlyFans”, a maioria das pessoas assume uma coisa. Marcas mainstream hesitam. Agências de publicidade pedem “brand safety”. Até o algoritmo do Instagram trata links OnlyFans de forma diferente — shadowban suave, alcance reduzido em Explore.
A Sophie Rain, estrela do OnlyFans, queixou-se publicamente a 29 de setembro que o podcaster Bryce Crawford fez “religion-baiting” — usou a fé dela contra ela numa conversa que supostamente era honesta. A dinâmica é clara: estar no OnlyFans torna-te alvo de julgamento moral, mesmo que o teu conteúdo seja apenas o teu gato a dormir em posições ridículas.
A Althea Heart, de “Love & Hip Hop”, lançou OnlyFans a 30 de setembro. Notícia no TMZ. A narrativa mediática: “mais uma celebridade no OnlyFans”. Não “empreendedora lança negócio de subscrição”. A plataforma carrega o estigma.
A Camille Herron, ultramaratonista de 44 anos, inspirou-se na Madonna e entrou no OnlyFans. Disse que era “empoderador”. Mas as manchetes focaram-se em “sex symbol”. A atleta mais decorada de ultramaratonas da história reduzida a um rótulo.
Marta não quer esse rótulo. O Thor não merece esse rótulo.
O plano prático (o que a Marta está a fazer esta semana)
Segunda-feira: Configurou o Passes.com. Perfil otimizado: “Thor, o gato engenheiro | Vida real de um maine coon em Lisboa | Dicas de treino, nutrição, enriquecimento ambiental”. Foto de capa: Thor em cima de plantas técnicas de navios (a piada de engenheira marítima). Bio com link para Instagram e TikTok.
Terça-feira: Criou 10 peças de conteúdo “founder member” — bastidores, rotina matinal real, erros de treino, Q&A sobre adoção de maine coon. Agendou para lançamento faseado nas primeiras duas semanas.
Quarta-feira: Gravou Reels “Porque mudei para Passes” — honesto, técnico, sem drama. Explicou a comissão de 10%, o IBAN, a liberdade de marca. Fixou nos Stories com link direto.
Quinta-feira: Configurou automação: novo subscritor no Passes → tag no ManyChat → sequência de boas-vindas com vídeo pessoal do Thor “a agradecer” (pata no telemóvel, som de ronronar gravado em ASMR).
Sexta-feira: Contactou três marcas de ração premium e uma de areia sanitária ecológica. Media kit atualizado: “Plataforma própria, 10% fee, dados de audiência transparentes, brand safe”. Duas responderam no mesmo dia.
Sábado: Analítica. 47 subscritores pagos em 48h. 31 vindos do Instagram, 12 do TikTok, 4 de partilhas orgânicas. Ticket médio: 12€ (muitos escolheram tier 15€ com vídeo personalizado do Thor). Receita projetada mês 1: ~550€ líquidos.
Domingo: Planeamento mês 2. Série “Engenharia para gatos” — DIY de arranhadores, circuitos de enriquecimento, comedouros lentos caseiros. Colaboração com a Inês (fotógrafa) para mini-curso “Fotografar gatos pretos sem flash”.
O que acontece aos pagamentos (o lado chato que tens de saber)
Como residente fiscal em Portugal (NHR ou regime geral), a receita do Passes cai em “rendimentos da categoria B — trabalho independente” ou “categoria E — capitais”, consoante a estrutura. A Marta tem contabilista (encontrou num grupo de expats, 80€/mês, vale cada cêntimo).
O Passes emite fatura-recibo automática para cada pagamento recebido. IVA: se cliente final em Portugal, 23%. Se B2B ou fora UE, isento com menção “IVA — Art. 14.º do CIVA” ou reverse charge. O contabilista trata disto.
O OnlyFans emite 1099-K (EUA) ou fatura simplificada (UE) mas o processo de saque para conta portuguesa demora 7-21 dias, com taxas de conversão USD→EUR do banco emissor (geralmente 2-3% acima do mercado). O Passes paga em EUR por SEPA, 2-3 dias úteis, taxa fixa 0.25€.
Para a Marta, que envia 300€/mês para a família em Tripoli via Wise (taxa 0.5%), a diferença de fluxo de caixa é tangível. Previsibilidade importa quando tens responsabilidades transfronteiriças.
A conversa que não tens com toda a gente
Há uma pergunta que a Marta não faz em voz alta, mas que molda cada decisão: E se isto acabar amanhã?
Plataformas mudam. Algoritmos viram. O OnlyFans tentou banir conteúdo adulto em 2021 e recuou após revolta. O Patreon mudou estrutura de taxas três vezes em dois anos. O TikTok pode ser banido nos EUA. O Instagram pode matar o alcance orgânico (já matou, várias vezes).
A única coisa que não muda é a relação direta com quem te apoia.
Por isso a Marta recolhe emails. Cada subscritor no Passes recebe: “Queres atualizações semanais do Thor sem depender de algoritmos? Deixa o email aqui [link Typeform]”. 60% aceitam. Tem 287 emails em duas semanas. Newsletter semanal (beehiiv, gratuito até 2500 subscritores). Abre a 42%. Clica a 18%.
Se o Passes fechar amanhã, ela leva 287 pessoas para onde quiser. Substack, Ghost, Memberful, Patreon, Ko-fi. A plataforma é um veículo. A audiência é o ativo.
O que a Marta diria a ti, se estivesses sentada na varanda com ela
Não te diria “faz isto”. Dir-te-ia: “Senta-te. Olha para os teus números. Onde vem o teu tráfego? Quem é a tua audiência? O que valorizam? Quanto precisas para que valha a pena?”
Se a tua audiência é 90% portuguesa/brasileira, jovem, mobile-first, habituada a MBWay e transferência bancária — o obstáculo do cartão de crédito no OnlyFans não é técnico, é comportamental. As pessoas não subscrevem porque não têm cartão, não querem usar, ou não querem que apareça no extrato “ONLYFANS.COM”.
No Passes, o extrato diz “PASSES.COM” ou “STRIPE”. Neutro. Discreto. A Marta testou: fez um Story com print do extrato (dados sensíveis tapados). 200 respostas em 1 hora. “Nem sabia que dava assim”, “Vou subscrever agora”, “O meu pai vê o extrato, isso ajuda”.
Às vezes a barreira não é a plataforma. É a fricção invisível entre a intenção e a ação.
O convite (leve, sem pressão)
A Marta não é guru. É uma engenheira marítima que virou pet influencer, que aprende a ler correntes de atenção como aprendeu a ler correntes do Atlântico. Comete erros. Apaga Stories. Muda de opinião.
Mas se estás em Portugal, és criador, e o cartão de crédito é o único muro entre ti e a monetização — sabe que há portas laterais. O Passes é uma. Ko-fi (transferência bancária, 5% fee). Memberful + Stripe (configuração técnica, controlo total). Ghost + Stripe (próprio site, zero comissão de plataforma).
A Top10Fans existe para mapear estas portas. Somos uma rede global de marketing para criadores OnlyFans (e não só), 30+ idiomas, 50+ países, Hugo + CDN global, tráfego orgânico para a tua página de criador. Grátis para começar. Se quiseres explorar, a porta está aberta.
O Thor acabou de acordar. Está a esticar as patas traseiras, aquele alongamento de ioga que só os gatos fazem. A Marta sorri, pega no telemóvel, grava. Legenda: “Engenharia felina: alongamento pós-soneca. Queres ver a rotina completa? Link na bio.”
Publica. O algoritmo faz o resto. Ela fez a parte dela: construiu o porto onde o navio pode atracar, independentemente da maré.
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